Estação do Bebê Burigotto
         
Quarta-feira, 8 de setembro de 2010.







Colunista
Luiz Leitão

Administrador e articulista  

luizleitao@ebb.com.br

 


Acima da lei

 

Há algum tempo, o ministro Celso Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, dizia, com a mais solene convicção, que "ninguém está acima da lei", mas as atitudes daquele que deveria ser o primeiro a observar aqueles dizeres - os pilares do Estado Democrático e de Direito-, se encarregaram de transformá-los, até aqui, numa meia-verdade.

O desprezo do presidente Lula pelas leis, normas, fiscalizações e tudo o que se possa interpor entre ele e seu projeto de perpetuação no poder, muito mal disfarçado na (pré) candidatura de sua ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, beira a imprudência, oculta pela sua sensação de onipotência, que tende a aumentar.

De há muito o presidente flana acima da lei, desde o momento em que foi poupado do impeachment quando da confissão do publicitário Duda Mendonça, feita em alto e boníssimo som, em plena CPI dos Correios, de ter recebido dinheiro da campanha de Lula no exterior.

Duda afirmou, com clareza solar, ter recebido 12,5 milhões de dólares no exterior, em pagamento por seus serviços na campanha eleitoral de Lula, em 2002.

Esse episódio, muito mais grave que o causador de outro impeachment, o de Fernando Collor, em 1992 (na verdade, Collor renunciou ao cargo de presidente, em 29 de dezembro de 1992) , não deu em nada, como nem cócegas causam à desfaçatez de Lula a quinta multa recebida por violar a legislação eleitoral - e seria muito maior o número delas, fosse a Justiça Eleitoral um tanto menos leniente com nosso primeiro magistrado -, perfazendo o total de meros R$ 37,5 milhões, cujo pagamento não haverá de faltar quem se disponha a bancar no lugar de Sua Excelência.

A questão aqui não é excluir da reprovação os discípulos do transgressor maior, José Serra entre eles.

O busílis do problema desses sobrevoos da impunidade às leis é o chamuscamento da imagem do País pelo mau comportamento do presidente, este comensal estabanado no banquete do poder, ao ponto de desafiar a Justiça quando ela lhe sinaliza, por mais de uma vez, que se aproxima a oportunidade de um desagradável, mas cada vez mais indispensável chamamento às falas, de maneira, digamos, mais assertiva.

Luiz Leitão, jornalista, SRT 57952/SP  luizmleitao@gmail.com



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