Estação do Bebê Burigotto
         
Quarta-feira, 8 de setembro de 2010.







Colunista
Luiz Leitão

Administrador e articulista  

luizleitao@ebb.com.br

 


O imperdoável

Perdoar é, acima de tudo, esquecer, sublimar, e não é raro vítimas perdoarem seus ofensores, por vezes os mais cruéis possíveis.

Mas a isso antecede compreender que nutrir o ódio é contraproducente, embora (muito) humano e compreensível.

Todavia, no que concerne às violações por padres pedófilos, justamente aqueles que se dizem representantes de Deus, o perdão das vitimas é virtualmente impossível, porque a marca dessas barbaridades fica indelevelmente gravada em suas psiques; o roubo da inocência, imensurável, as marcará por toda a vida.

Então, não cabe o papa pedir perdão, especialmente quando a própria Igreja fez de tudo para ocultar e proger da punição legal e do escrutínio público os autores dessas felonias, geralmente transferindo-os para outras paróquias, onde vários retomaram as práticas de violações..

Abusos de duzentos (!!) meninos surdos em Wisconsin, Estados Unidos, a Casa Pia de Lisboa, a violentações, anos a fio, escondidas por mais de trinta anos, na Irlanda, com a nojenta conivência da polícia local, a chamada An Garda Siochana, cujos dirigentes à época acharam mais importante proteger a (falsa) imagem da Igreja do que as crianças.

(Vide artigo “Em nome do Estado e da Igreja”)

O papa é culpado, porque autoridade máxima, e por não ter feito nada para reprimir um um pecado, o maior deles, que não está nos Dez Mandamentos, mas deveria ser o primeiro: "protegei as crianças, acima de tudo".

O padre alemão "reverendo" Peter Hullermann abusava de menores desde os anos 1970, e foi apenas transferido de arquidiocese, continuando a lidar com crianças.

Para se ter uma ideia, somente nos EUA, desde 1990, a Igreja pagou cerca de US$ 2 bilhões em indenizações, um montante gigantesco que, entretanto, não ameniza o sofrimento, não apaga as marcas na personalidade das vítimas nem, muito menos, compra-lhes o perdão.

Ratzinger sempre transpareceu uma dureza lapidar, o olhar impenetrável, os discursos marcados pela intolerância que destoa dos que pregam a palavra divina, sabendo que Jesus foi um grande transgressor - o que não significa, em absoluto, malfeitor. Ele, que proferiu a bela frase "deixai vir a mim as criancinhas", foi traído por Ratzinger e seus asseclas com torpeza maior que a de Judas.

Óbvio que o anacronismo do celibato é, em boa medida, a causa desses abusos, porque ridícula a veleidade de tentar conter um dos dos mais poderosos instintos humanos, se não o maior deles - o sexual. Mas isso é problema deles, e dos cristãos conservadores, que defendem perdoar o imperdoável.

Façam o que quiserem, mantenham-se presos a seus dogmas, escondidos em sua falsa castidade, condenando homossexuais, quando um grande do clero no Vaticano se valia dos préstimos de um cantor do coro para arrumar-lhe rapazes, altos, fortes e jovens.

Ninguém intelectualmente honesto liga ou faz troça se padres relacionam-se com homossexuais adultos. Quem os, digamos, "criminaliza", é a própria instituição. Mas abusar de crianças, não!

Não existe perdão para isso. A pedofilia consegue ser ainda mais abjeta que o estupro, e qualquer mulher há de entender isso, e todo homem de verdade. Só os verdadeiros homens, que não precisam afirmar sua virilidade, sentem empatia pelas mulheres, e respeitam seus corpos como o verdadeiro monge venera o templo.

Agressões desse tipo a crianças muito provavelmente pertencem ao ramo da patologia mental, nem por isso atenuantes das barbáries.

Danem-se os malditos conservadores, mas não venham defender o perdão aos algozes da inocência.

Ao inferno Ratzinger e suas certezas absolutas, sua hipocrisia oculta sob a batina, sua "bondade" resumida a declarações de "apoio" a vítimas de cataclismos, quando a catástrofe mais avassaladora ocorre sob o seu manto.

Por sincero que seja o arrependimento dos criminosos de batina, este é, talvez, o único perdão literalmente impossível de concessão.

Luiz Leitão é jornalista

DRE 57952SP

luizleitao@maisinterior.com.br



O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seu autor, não representando a opinião do site.

www.ebb.com.br - Autorizada a reprodução desta matéria desde que citada a fonte


 Enviar esta coluna para alguém
[Seu nome]
[Para qual e-mail você deseja enviar esta coluna]

    



centro de estudos do genoma humano Fundação Pró-Sangue
Fundação Pró-Sangue
 


Copyright © 2002 - 2010 Lojas Estação do Bebê Ltda. - Todos os direitos autorais reservados.
 
 
Buscador Google
 

site oficial da rupública federativa do brasil


PORTAL DO CONSUMIDOR
veja mais...


Agência Nacional de Vigilância Sanitária
veja mais...


INMETRO
veja mais...


A D O Ç Ã O
veja mais...


CRIANÇA SEGURA
veja mais...


PROCONS MUNICIPAIS DO ESTADO DE S.PAULO
veja mais...